
Sonho de vida.
Tão inexplicavel como o amor ao Sporting.
O que se faz quando se quer escrever, mas as palavras não saem?
Pede-se ao silêncio que fale. E ao meu ouvido vai ditando, acompanhado pelo som nocturno do grilo, histórias do passado. Deixa-me perguntas. Requer respostas, e aí as palavras surgem.
O que se faz quando se quer ter ideias, mas elas não brotam?
Pede-se ao tempo que passe. Espero que percorra o seu caminho. Mas não vou controlando o tempo que leva o tempo a passar. E quando já nos cruzámos, foi invisivel. Deixou-me aos pés o seu pergaminho, completo de ideias.
O que se faz quando o mundo parecia completo, mas sabia que faltava algo?
Abraça-se a Luz que me aquece. E as palavras saem, as ideias brotam e a vida, simples, passa a ter novo sentido. O sentido da Luz.
Quando desvio para a enorme estrada que me levaria até a Scheveningen, percebi que acabara de entrar num autêntico filme americano. Tinha ligado o mp3, com Beach Boys a fazerem a banda sonora. Passavam, entao, descapotáveis, onde ele, com os seus óculos escuros, conduzia, e ela aproveita para "deixar os cabelos ao vento". Por mim passavam tambem muita gente de mota ou bicicleta, preparados para entrar na praia e ir directos ao mar.
Soube-me bem. Uma aragem quente, confortável. Sentira pena de não poder ir a Portugal para a Páscoa, mas soube-me a recompensa.
Cheguei à praia. Parecia Agosto. Ou melhor, parecia Agosto e em Cascais, onde nas alturas de grande afluência, encontrar um espaço livre é dificil.
Fui almoçar ao BurguerKing. Terminado o almoço, passei na estrutura de ponte, que caracteriza Scheveningen.
Percebi-me, então, de como o ano tinha passado a correr. Lembro-me de quando cheguei, com 3 malas, e me questionava a injustaça de sair de Portugal com calor, e entrar numa Holanda onde ja precisava do kispo.
Hum.. Afinal o ano não tinha passado a correr. Mas acredito que quando nos empenhamos nalguma coisa, com afinco, o tempo passa mais depressa. Trabalho não faltou. E mesmo agora tambem não falta.
Volto no final de Maio para Portugal, e talvez como há muito tempo nao sentia: não desejo férias. Quero estudar, e concluir o que há para concluir. Férias terei, mais cedo ou mais tarde, mas não quero que isso apresse, pressione ou influencie o meu modo de conduzir as coisas.
2010/2011 deu-me organização e disciplina. Para o ano está marcado mais rigor e mais trabalho ainda.
Volto. O calor de Scheveningen está a desaparecer.
O télemovel diz-me que são 14:30. Acabaram as férias, vou estudar.
O cartaz é relativo a um concerto que vou participar no Domingo, numa peça a 7 órgãos.
O primeiro ensaio foi segunda feira e senti a dádiva de poder fazer este projecto. Pelas pessoas que tocam, pelo espaço que é, pela experiencia que adiciona.
Senti, segunda-feira, uma "lavagem cerebral" positiva. Juntando a festa de inauguraçao da casa da Maria e do Isaac, que tinha sido na noite anterior, senti que respirei "ar puro".
É muito mau entrar-se numa má rotina. Talvez nao seja a rotina que é má, mas o ambiente que a envolve. Estava pesado, incomodo.
Mas naquela noite de Domingo / manha de segunda feira, muito se desvanesceu. Agora é tempo de tambem começar a estudar para o IST. Relembra-me de responsabilidades que sao mais do que "pegar na calculadora e já está", como já pude ouvir.
Resta-me, nas viagens para Amesterdao, reflectir se o bom senso das pessoas deverá ser uma definiçao universal ou nao. Sobre isso, Haia poderia ajudar-me a escrever tese de mestrado.
"Comece por fazer o que é necessário, depois faça o que é possível e em breve estará a fazer o que é impossível." - S. Francisco de Assis
E nao haverá melhor tema para deixar 2010 e entrar em 2011. Nao restem duvidas que sou fã daquele senhor.